Um simples momento, explosão de alegria. Sem medo de experenciar. Foi assim, assim foi. De um ato, mais um montão parecido com o primeiro. Naturais, suaves e saborosos. Magia no olhar, no tato, perfume que embalou o olfato. Som que embalava o momento, ah!, por vezes se esvaiu. Culpa das energias, que se misturaram, trocaram seus segredos.
A pausa, o silêncio e novamente o enlace e desenlace das mãos. Música nova na pista, daquelas contagiantes. Risos dão o tom, sorrisos estampados nos rostos cada vez mais próximos. Calor que contrastava com o frio pulsante da rua. Só aquecia o momento. Natural, leve e saboroso. "Seja lá onde for, deixa o sol te levar... Te guiar só pra cá...", a la Móveis Coloniais de Acaju, em "Descomplica.
segunda-feira, 19 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Cena no ônibus
Sabe aquele olhar de quem está louco por algo? O cobrador do ônibus tentava disfarçar. Em um dos dedos da mão direita dele, uma aliança. O objeto da cobiça do rapaz era uma garota bonita, morena clara, de cabelos longos e castanhos, com um olhar intenso e profundo. Em sua mão direita branquinha, também brilhava uma aliança prateada. Sinal de compromisso - dele e dela. E tudo não passou de uma troca de olhares. Com vantagem para o moço, aparentemente mais safadinho.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Prazer que vem das palavras
Repentina e intensa; algo como o desejo por alimentar-se. Eis a vontade de escrever. Às vezes, não há ideias, só pensamentos que se confundem. Gostoso é deixar com que as palavras ganhem formas, combinem-se umas com as outras. Sentido? Ah, pensamos nisso depois. Só nos resta sonhar e transformar essas fantasias em texto. Faço isso neste instante. Por puro prazer - e um pouco de necessidade. Aquele momento em que precisamos nos desvelar.
Mágico é esse ato, o de escrever. Agarra-nos com tamanha força que somos levados para outros mundos. Companheiro de viagens inesquecíveis, delírios saudáveis. Tudo tão sem sentido e, por isso mesmo, gostoso. Sem regras, caminhos definidos. Na estrada, só você, a imaginação e as palavras. Uma música de fundo pode, tudo bem! É devaneio que não acaba mais. Criamos personagens, histórias inconcebíveis na realidade nua e crua. São frutos de nossos desejos mais íntimos, profundos... (assim, com reticências).
As tão sonhadas (e impossíveis) asas para o ser humano. Liberdade. Pra que mais? Ok, mais um desejo: aquele vento suave a roçar nas bochechas. O cabelo esvoaçante, sem preocupação com o penteado. Não há limites. À sua frente, um caminho inteiro, vazio. Sol brilhando entre nuvens macias. Sensação de paz e tranquilidade. Palco perfeito para montar cenários, um roteiro possível só na imaginação. Direção por sua conta. Pronto, uma peça.
A escrita assim, simples e descompromissada, é um convite para nossas loucuras. As mais intensas, quiçá proibidas - tudo mais saboroso. Ai, ai, ai...
domingo, 29 de janeiro de 2012
Na estrada com Kerouac
Nova York, década de 1940. Com sua escrita livre, Jack Kerouac convida para um mergulho. Ou melhor, para uma viagem estrada afora. O destino: Denver, no estado do Colorado, oeste norte-americano. Mais de cinquenta anos depois, seguimos a rota. Carona atrás de carona, acompanhamos aquele jovem e sonhador escritor. Sonhamos com ele, enfrentamos os perigos... Enfim, nos deixamos levar pela prosa gostosa e incansável, sem interrupções, parágrafos, muito menos capítulos. Nada melhor para uma tarde de domingo em casa.
Pausa para o almoço. Kerouac fica de lado por um tempo. Minutos depois volta com todo fervor. Páginas e mais páginas viradas de forma intensa. O tempo passa, a semana está perto de começar - na São Paulo de 2012. Na viagem, estamos cada vez mais próximos de Denver. E lá não há preocupação com uma nova semana. Vida de boemia, beirando à vagabundice. Já com menos de 20 dólares no bolso, o escritor louco pula de veículo em veículo. Sempre há espaço para aproveitarmos juntos a carona.
Horas depois, talvez dias, a tão sonhada chegada no oeste americano. Estamos efusivos; ao mesmo tempo, cansados. Na rodoviária, sem ao menos uma moeda. Sem também alguma preocupação. Roupa surrada, poucos pertences, aquele escritor se hospeda na casa de um amigo. Começa, enfim, a perambular pela noite, cercado dos melhores amigos, de mulheres. Regado a uísque, cerveja e cigarros.
Peço um tempo. Sem virar mais páginas, continuo a viagem - imaginação e fantasia. Toca João Bosco, o efeito relaxante e motivador. Após "Papel Machê", a leveza e magia de "O bêbado e o equilibrista". Um copo de café, puro e quentinho. Enquanto isso, Kerouac e seus parceiros curtem as loucuras nos bares e boates de Denver. Na década de 1950, surge "On the road", fruto daquelas andanças e experiências do escritor americano. Rolos de papéis datilografados em meio a copos de café. Palavras escritas de uma só vez.
A aventura ainda não terminou. Talvez, mais tarde, iremos novamente ao encontro de Kerouac, Neal Cassady e cia. E a viagem pelas ruas boêmias da capital de Colorado, nos anos 40, continuará. Agora mais um pouco de café. No final da noite, (imaginárias) doses de uísque e cerveja...
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Do outro lado da rua, o carro...
Mais de onze horas da noite. Ouvindo de Bob Marley a Móveis Coloniais de Acaju, observo o céu estrelado. Um mar azul-escuro, repleto de pontinhos brancos que aguçam a imaginação. A cena dá asas e o combustível necessários para inúmeras viagens. Não perco a oportunidade. Deixo a mente flutuar. Contemplo a lua brilhante. Na imensidão, ela é a protagonista. De sonhos e fantasias.
Caminho até o portão. É hora de divagar mais um pouco. Até que uma visão tira-me daquele passeio delirante. Não, não pode ser. Um carro está parado do outro lado da rua. Pequenino e vermelho escuro, parece dormir em um sono profundo. Suas luzes apagadas se confundem com o que aparentemente acontece em seu interior. Observo com atenção redobrada. Não vejo aquele ser balançar. Pelo contrário, ele hibernou. Limpo os óculos para ver se consigo enxergar algum movimento dentro do veículo. Nada. Só avisto luzes de celular vindas de lá, que acendem e apagam a todo o instante. É um sinal? Talvez.
A vontade que dava era de se transformar em uma mosca praticamente invisível. Sem barulho, aproveitar alguma brecha de janela aberta e assistir ao espetáculo de camarote. Como isso é impossível, só restaram a imaginação e, claro, a mente poluída. Afinal, o casal (se é que era mesmo, talvez fosse uma pessoa esperando alguém...) poderia estar no meio de uma DR. Vai saber. Mas que eu fiquei curioso, ahh! eu fiquei...
Caminho até o portão. É hora de divagar mais um pouco. Até que uma visão tira-me daquele passeio delirante. Não, não pode ser. Um carro está parado do outro lado da rua. Pequenino e vermelho escuro, parece dormir em um sono profundo. Suas luzes apagadas se confundem com o que aparentemente acontece em seu interior. Observo com atenção redobrada. Não vejo aquele ser balançar. Pelo contrário, ele hibernou. Limpo os óculos para ver se consigo enxergar algum movimento dentro do veículo. Nada. Só avisto luzes de celular vindas de lá, que acendem e apagam a todo o instante. É um sinal? Talvez.
A vontade que dava era de se transformar em uma mosca praticamente invisível. Sem barulho, aproveitar alguma brecha de janela aberta e assistir ao espetáculo de camarote. Como isso é impossível, só restaram a imaginação e, claro, a mente poluída. Afinal, o casal (se é que era mesmo, talvez fosse uma pessoa esperando alguém...) poderia estar no meio de uma DR. Vai saber. Mas que eu fiquei curioso, ahh! eu fiquei...
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