Mais de onze horas da noite. Ouvindo de Bob Marley a Móveis Coloniais de Acaju, observo o céu estrelado. Um mar azul-escuro, repleto de pontinhos brancos que aguçam a imaginação. A cena dá asas e o combustível necessários para inúmeras viagens. Não perco a oportunidade. Deixo a mente flutuar. Contemplo a lua brilhante. Na imensidão, ela é a protagonista. De sonhos e fantasias.
Caminho até o portão. É hora de divagar mais um pouco. Até que uma visão tira-me daquele passeio delirante. Não, não pode ser. Um carro está parado do outro lado da rua. Pequenino e vermelho escuro, parece dormir em um sono profundo. Suas luzes apagadas se confundem com o que aparentemente acontece em seu interior. Observo com atenção redobrada. Não vejo aquele ser balançar. Pelo contrário, ele hibernou. Limpo os óculos para ver se consigo enxergar algum movimento dentro do veículo. Nada. Só avisto luzes de celular vindas de lá, que acendem e apagam a todo o instante. É um sinal? Talvez.
A vontade que dava era de se transformar em uma mosca praticamente invisível. Sem barulho, aproveitar alguma brecha de janela aberta e assistir ao espetáculo de camarote. Como isso é impossível, só restaram a imaginação e, claro, a mente poluída. Afinal, o casal (se é que era mesmo, talvez fosse uma pessoa esperando alguém...) poderia estar no meio de uma DR. Vai saber. Mas que eu fiquei curioso, ahh! eu fiquei...
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
Fantasia, imaginação e prazer - Feliz 2012!
Não se faz mais Réveillon como antigamente (falo como se já tivesse vivido séculos). Só senti falta da animação contagiante, do barulho ensurdecedor dos fogos, dos gritos gostosos de Feliz Ano Novo, da loucura extasiante. Chatice minha à parte, seja bem-vindo, 2012!
E eu, como de costume, estou contemplando a madrugada. À minha frente, uma taça de champanhe. Reflexões ganham forma. O enredo é perfeito: silêncio, dia quase clareando, brisa suave lá fora. A cada gole de champanhe, uma viagem. No intervalo entre o som das teclas enquanto digito, ouço ainda alguns fogos de artíficio retardatários. A tranquilidade toma conta do ambiente...
... Uma pausa. Com ela, a vontade de uma música. O som emana de "Buffalo Soldier", de Bob Marley. Cenário completo para os devaneios, que certamente atravessarão a manhã deste 1º de janeiro. Flutuando... Queria ter asas para acompanhá-los. São mais rápidos do que eu. Talvez os alcance em algum sonho, numa existência imaginária. Divagações e fantasias da madrugada. O leve prazer de criar e viajar que tornam a vida mais bem-vivida. Por isso, "live if you want to live", como disse Bob em "Positive Vibration. Bons sonhos! E um excelente 2012!
E eu, como de costume, estou contemplando a madrugada. À minha frente, uma taça de champanhe. Reflexões ganham forma. O enredo é perfeito: silêncio, dia quase clareando, brisa suave lá fora. A cada gole de champanhe, uma viagem. No intervalo entre o som das teclas enquanto digito, ouço ainda alguns fogos de artíficio retardatários. A tranquilidade toma conta do ambiente...
... Uma pausa. Com ela, a vontade de uma música. O som emana de "Buffalo Soldier", de Bob Marley. Cenário completo para os devaneios, que certamente atravessarão a manhã deste 1º de janeiro. Flutuando... Queria ter asas para acompanhá-los. São mais rápidos do que eu. Talvez os alcance em algum sonho, numa existência imaginária. Divagações e fantasias da madrugada. O leve prazer de criar e viajar que tornam a vida mais bem-vivida. Por isso, "live if you want to live", como disse Bob em "Positive Vibration. Bons sonhos! E um excelente 2012!
domingo, 20 de novembro de 2011
Efêmero: o tudo e o nada
Fico às vezes me perguntando: por que as madrugadas são tão convidativas? Elas nos atraem com seu silêncio confortador, o único barulho emana de nossos próprios pensamentos. Não ouvimos a agitação da cidade, o ruído de carros. Nada. Só nós mesmos.
Enquanto o sono não vem, aquele bocejo gostoso que nos envolve, ficamos assim. A refletir, pensar, sonhar, imaginar. Junto com o som de nossas reflexões, uma música. A melodia suave penetra em nossa alma como o canto dos pássaros. Uma leveza incrível.
Ora, um pássaro no vale
Cantou por um momento, outrora, mas
O vale escuta ainda envolto em paz
Para que a voz do pássaro não cale.
A efemeridade envolve tudo. E é nada ao mesmo tempo. O vazio. Assim como o silêncio, que é nada e às vezes nos preenche. Contradições. Devaneios que entoam a madrugada que avança. Ou caminha lentamente. Como diz Clarice Lispector, só nos resta cultuar a vida, porque "viver ultrapassa qualquer entendimento"... A beleza dos três pontinhos, margem para tudo, existência para algo que pode ser imaginado...
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Puro ar de serenidade
Um vento gostoso bate no rosto. O sol escondido no céu nublado. Na rua, o calor humano. Roda, que gira e gira. A multidão segue a música. A Macumba Antropófaga começou. Sem poder participar de todo o ritual, curtimos o momento.
Delírio e devaneio. Sopro de êxtase. Ali no Centro, o Teatro Oficina pede espaço, invade aquele ambiente urbano. É contagiante. Rodeado de alegria, esquecemos de tudo. A Antropofagia toma conta. Ave, Oswald! Grande Tarsila! Na contemporaneidade, o gosto do modernismo. A experimentação. Um lugar ao sol.
A volta ao reduto. Sem a pulseira verde, é hora de partir. Imersos na onda fria da Pauliceia Desvairada, sentimos o vento roçar nossas peles. A intensidade nos une. O que fazer? Nada de voltar para casa. Um café para relaxar. Conversas e risadas, ritmos da alegria.
Sem medo do relógio. Deixa o tempo pra lá. No vão livre do Masp, a tranquilidade. Uma pausa para curtir. "E quase como um sonho bom, onde entreter também era brincar...". Mais um, por favor. Acendemos e rimos. A loucura da simplicidade. A sofisticação está nas coisas simples. Aproveitamos.
Uma música ganha vida. Marcelo Jeneci e sua "Felicidade". Puro ar de serenidade. Onde estava o frio? Àquela altura, nem sentia o vento gelado. Conversas e devaneios aqueciam. Sem mais. Aliás, com mais. Com alegria. E sem. Sem preocupações. É isso. A melhor coisa é não pensar em nada.
A lua brilha. Nuvens brancas, quase laranjas. Ou será outra cor? Sem pensar. E o feriado acabou. A madrugada caminha lentamente. Agora é hoje ou ontem, talvez amanhã. "Tão longe...", a música toca. O silêncio e só o barulho do teclado. O respiro também. Bom é terminar o texto sem fim, com reticências. Assim, ó...
Delírio e devaneio. Sopro de êxtase. Ali no Centro, o Teatro Oficina pede espaço, invade aquele ambiente urbano. É contagiante. Rodeado de alegria, esquecemos de tudo. A Antropofagia toma conta. Ave, Oswald! Grande Tarsila! Na contemporaneidade, o gosto do modernismo. A experimentação. Um lugar ao sol.
A volta ao reduto. Sem a pulseira verde, é hora de partir. Imersos na onda fria da Pauliceia Desvairada, sentimos o vento roçar nossas peles. A intensidade nos une. O que fazer? Nada de voltar para casa. Um café para relaxar. Conversas e risadas, ritmos da alegria.
Sem medo do relógio. Deixa o tempo pra lá. No vão livre do Masp, a tranquilidade. Uma pausa para curtir. "E quase como um sonho bom, onde entreter também era brincar...". Mais um, por favor. Acendemos e rimos. A loucura da simplicidade. A sofisticação está nas coisas simples. Aproveitamos.
Uma música ganha vida. Marcelo Jeneci e sua "Felicidade". Puro ar de serenidade. Onde estava o frio? Àquela altura, nem sentia o vento gelado. Conversas e devaneios aqueciam. Sem mais. Aliás, com mais. Com alegria. E sem. Sem preocupações. É isso. A melhor coisa é não pensar em nada.
A lua brilha. Nuvens brancas, quase laranjas. Ou será outra cor? Sem pensar. E o feriado acabou. A madrugada caminha lentamente. Agora é hoje ou ontem, talvez amanhã. "Tão longe...", a música toca. O silêncio e só o barulho do teclado. O respiro também. Bom é terminar o texto sem fim, com reticências. Assim, ó...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Máquina louca
"Lembrarás os dias que você deixou sem ver a luz". Sábio Marcelo Jeneci. O tempo é traiçoeiro. Companheiro por vezes. Uma verdadeira incógnita. Quanta lembrança. O que parecia tão atual virou as costas e deu tchau.
Onde estamos hoje? Quem somos neste instante? E no próximo, no seguinte? Tantos rostos, uns ficam, outros vão. Nem vimos, passaram mais alguns.
Passa tempo, tempo passa. Escorre como água entre os dedos. O que são três anos? Lembrarás os dias em que não viu a luz. É, passou. Máquina do tempo: um devaneio sonhador da humanidade. Mas sabe que vivemos em uma? Pense agora, já passou. Mais um pensamento deixado pra trás.
Por falar em tempo, a madrugada avança. Divagações caminham com ela. Ao som de jazz. Confusão de ideias. Passado, presente e futuro se misturam. Aliás, o que é futuro? Melhor é o verbo no futuro do pretérito.
O texto é libertador, encoraja. O que seria de mim sem ele? Um doido sem esperanças. (Um maldito pernilongo me distrai). Estávamos onde? Ah, sim. Minha loucura. Essa é perene. Sobre isso, falo outra hora. Pode demorar ou não. Depende da máquina também louca do tempo.
Quando isso que você lê foi publicado: hoje ou ontem? Já nem sei mais.
Onde estamos hoje? Quem somos neste instante? E no próximo, no seguinte? Tantos rostos, uns ficam, outros vão. Nem vimos, passaram mais alguns.
Passa tempo, tempo passa. Escorre como água entre os dedos. O que são três anos? Lembrarás os dias em que não viu a luz. É, passou. Máquina do tempo: um devaneio sonhador da humanidade. Mas sabe que vivemos em uma? Pense agora, já passou. Mais um pensamento deixado pra trás.
Por falar em tempo, a madrugada avança. Divagações caminham com ela. Ao som de jazz. Confusão de ideias. Passado, presente e futuro se misturam. Aliás, o que é futuro? Melhor é o verbo no futuro do pretérito.
O texto é libertador, encoraja. O que seria de mim sem ele? Um doido sem esperanças. (Um maldito pernilongo me distrai). Estávamos onde? Ah, sim. Minha loucura. Essa é perene. Sobre isso, falo outra hora. Pode demorar ou não. Depende da máquina também louca do tempo.
Quando isso que você lê foi publicado: hoje ou ontem? Já nem sei mais.
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