Lembranças de volta. Trechos são recordados com o desnudar de imagens. As visitas à oftalmologista na Rua Martins Fontes com a avó há muitos anos, cenas recentes ali perto, no Teatro de Arena. Tudo colore com histórias e memórias a paisagem do Centro visto em uma segunda-feira, na hora do almoço. Aquele fervilhar de gente, de engravatados a descolados.
Lá estávamos Inês, minha amiga e editora, e eu para um delicioso almoço num restaurante natural. A começar pelo momento, todo o restante foi incrível. Minutos a olhar as tradicionais galerias, dos sapateiros, dos objetos antigos, da São Paulo pouco vista hoje em dia, numa época de lugares glamourosos e requintados. Na calçada, os engraxates, figura esquecida. É... Mas eles ainda estão lá para tornar brilhantes e lustrosos os sapatos de executivos.
Na praça, os bares, cafés e restaurantes, de todos os tipos e para todos os gostos.
Andando mais um pouco, vemos o que parece ser outra banca de jornal. Paramos pra ver se vende bilhete único, pois Inês emprestara o seu para o filho caçula. Uma jovem responde que não, sorridente e escondida em meio a tantas revistas. Mas edições antigas, históricas. Que vontade de explorar aquele sebo, pena que o horário não permitia.
No mesmo Centro que me trouxe imagens de infância com cenas contemporâneas, Inês reencontrou uma amiga das antigas, de surpresa. Andávamos em direção ao ponto para pegar o ônibus e retornar à redação quando ouvimos "Inês Pereira!" em alto e bom som.
Era Cecilia uma produtora e que conhecia Inês há bastante tempo. Trocaram algumas palavras em uma energia por demais de positiva, como aquelas que sentimos ao curtir uns minutos flanando pelas ruas da Pauliceia.
E quem disse que a segundona não pode ter momentos alegres?
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
A inquietação de sábado à noite
Sábado à noite em casa. Aliás, todo um sábado caseiro. O dia passou, só passou - leve como uma brisa. Sozinho, mergulho inquieto no meu silêncio. Quero fugir da minha companhia por alguns instantes. Buscar vida lá fora. E a coragem de trocar a confortável tranquilidade por um bocado de aventuras? É melhor ficar aqui. Calado, brincando com pensamentos.
Crio um parque de diversões na minha cabeça, a la Lawrence Ferlinghetti. Mas nem tudo é risonho. Sem bem saber o porquê de tanta melancolia, peço respostas. Recebo mais dúvidas. Inquietude, euforia. Estou suando, por dentro e por fora.
O som da TV ecoa sem que eu o perceba. Na sala de estar, crio um espaço à parte, só meu, do "eu" que viaja, entrega-se à (saudável) solidão. Até que horas esse fluxo de reflexões vai? Sei dizer não. Haja disposição para encará-lo! Bem vindo, domingo!
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Cochilo dominical
Silêncio dentro de casa, tem ninguém. Uma tarde de domingo serena. A brisa suave entra timidamente pela janela entreaberta da sala. No sofá, o rapaz deita para descansar - um pouco. Os olhos vão fechando e acompanham a tranquilidade do ambiente.
Hora do cochilo. Era para ter durado uma horinha, mas passou disso. E foi tão bom. Dormir na tardezinha dominical é um dos prazeres, talvez dos melhores, da vida. De vez em quando, vale a pena desfrutar desse prazer. Apreciar com moderação (ou não), como sexo, comida e bebidas. E um montão de coisas que deixamos de fazer, colocando culpa na correria do dia a dia. Basta uma tarde de domingo.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Como Kerouac no topo da montanha
"Depois de todo esse tipo de farra, e
ainda mais, cheguei ao ponto em que precisava de solidão e de desligar a
máquina de 'pensar' e 'curtir' o que chamam de 'viver'; tudo o que eu queria
era deitar na grama e olhar as nuvens", escreveu Jack Kerouac no texto Sozinho no topo da montanha.
Me senti um pouco como Kerouac neste fim de
semana. Já era sábado, mas o dia ainda não raiara. O relógio marcava 5h30 e uma
cena se repetia: eu estava em uma estação de metrô voltando para casa após uma
festa. "Tudo muito igual, cansei disso, de baladas, festas, voltar pela
manhã. Será que é um tempo perdido?", pensei, não necessariamente nessa
ordem, tampouco com as mesmas palavras. Sossego era o que queria. Parecia que
toda a badalação havia deixado de ter qualquer significado. Estaria eu mais
velho do que o comum? Ou seria uma crise momentânea, daquelas que logo passam e
no fim de semana seguinte retorna a vontade de sair? Sem certeza, muito menos
respostas para essas perguntas.
O fim do ano se aproxima. Talvez a tranquilidade
seja mesmo um desejo. O silêncio. Vontade de ouvir os sons que vêm da rua,
perder-se em
divagações. Sentir o cheiro da chuva típica de verão. Pensar
um pouco mais na vida: síndrome dos últimos meses do ano. Viagem, a palavra
encantadora e a intenção de colocá-la em prática, seja fisicamente ou em
pensamentos.
Talvez precise dar uma pausa nas saídas
noturnas que se prolongam nas madrugadas. Usar os fins de semana para produzir
e também realmente descansar. Basta ficar na janela, escutar a chuva caindo, o
vento roçar no rosto. Múltiplas sensações num fim de tarde com os olhos
cerrados. Sem música agitada, só com os sons da natureza e da própria
respiração.
Texto escrito no domingo, às 21h30.
Texto escrito no domingo, às 21h30.
domingo, 29 de julho de 2012
Seu Madruga
Um homem morreu hoje à noite. Em sua casa.
Dizem que foi "de coração". Era um vizinho, daqueles que
cumprimentamos sem bem saber o nome. Pouco sabia dele. Em algum momento da
vida, bebeu demais. Há bastante tempo, vivia calado. Quase não falava. Dele
sabia pouco. Seu apelido: Seu Madruga. E Seu Madruga já não está mais aqui.
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